sábado, 10 de julho de 2004

Intertextualidade

Eis que o bicho do silêncio público/oral me picou e, em contra-partida, o bicho da manifestação escrita veio dar-me o antídoto parcial. Melhoro, não me curo.

Fala-se melhor com os olhos e com o coração, penso assim. Mas como tornar público? E para quê tornar público? Enfim, escrevo, somente.

Palavras, o vento leva... já diz o “lugar comum” – mas só as pronunciadas, pois o som se propaga no ar. Então, palavras no papel estariam meio-seguras? Quem sabe? Prendo-as. Acorrento-as num papel, antes, num papiro (virtual). Enrolo e guardo na mente alheia para que não se perca. Como “batatinha quando nasce”. Que todos saibam! Que nunca morra. Que não mais “espalhe a rama”. Que “se esparrame”. Assim permito. Se me for permitido permitir qualquer coisa.

Clarice inspira. E expira vida. Fernando Sabino, Fernando Pessoa, Luiz Fernando Veríssimo... Fernandos, quantos! São sempre muito importantes em nossas vidas... Deveríamos prestar mais atenção a todos os Fernandos. Os bons e os maus. Os gordos e os magros. Os brancos e os negros. Os que escrevem e os que filosofam. E os outros nomes, não têm importância? Claro que têm: São todos Fernandos, por assim dizer. Os Josés, os Joões, os Marcelos, os Ronaldos... São todos Fernandos. Ah! Como é santa a falta da intertextualidade que nos salva das confissões e nos livra das penitências.

Ando tão calada ultimamente. Vivas por isso! Vivo por isso. (Fogos explodem!!!)

E a frase não me sai da cabeça: “Ultimamente têm passado muitos anos.” (R.B.)

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