domingo, 26 de setembro de 2004

História sem fim.

A história abaixo é verídica, porém está incompleta. Sua continuidade começou a ser escrita em 05 de setembro de 2004.
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“Era uma vez, há muitos anos, uma adolescente que não queria compromisso sério e ainda estava na fase da indecisão e completamente avessa a responsabilidades. Foi quando ela conheceu, no colégio, um jovem, fã de Roberto Carlos e extremamente tímido, mas que contava piadas o tempo inteiro para driblar a timidez.

Eis que esse jovem se encanta pela descompromissada adolescente e esta não se dá conta do fato (“Pensar é um ato, sentir é um fato”. C.L.), mas o jovem é persistente e vai se chegando, tomando conta da vida e do coração da adolescente e, enfim, se declara.

A adolescente está – e é – muito confusa. Não sabe como agir, pois tal sentimento que surge a assusta. Mas ela resolve deixar-se envolver e eles começam um lindo namoro, que tem tudo para ser eterno...

ETERNO???!!!

A adolescente se dá conta que está se envolvendo muito e isso lhe parece bastante perigoso. “Meu Deus! E os outros possíveis namorados?”, pensa a adolescente. Ela não quer compromisso e antes que fique muito sério, ela termina o relacionamento.

Porém a adolescente não lembra que num namoro há duas pessoas. E os sentimentos do jovem? Bem, estes foram ignorados, pois o desespero pela iminência de um compromisso era maior que tudo.

O jovem, puro de coração, cujo primeiro beijo pertenceu à adolescente... ficou só. Ainda tentou argumentar inúmeras vezes, fez declaração em público. Via-se o AMOR nos olhos dele. Mas a covarde adolescente foi irredutível. E o jovem sofreu muito.

Anos se passaram, mas eles nunca perderam completamente o contato, tentaram ser amigos – e são. Seguiram caminhos diferentes, tiveram muitas decepções, cresceram e amadureceram muito.

Mas, um dia, a não-mais-adolescente faz um balanço de sua vida e percebe que nunca fora tão amada como por aquele jovem, hoje um homem. E tenta recuperar esse sentimento, pois se dá conta que sempre o amara. Entretanto, é tarde. Seu amor já tem outra e pensa em casar...

Então o destino os coloca frente-a-frente num momento muito delicado para ambos, já que o relacionamento dele estava “balançado”. Ela tenta argumentar, chora, lamenta, desculpa-se, seduz... E nada surte efeito. Pois esse Homem – em sua mais pura essência – tem compromisso de fidelidade à sua namorada, pois ainda há um relacionamento.

Ela, muito fragilizada, volta à sua vida e ele reata o namoro.

Cada um segue seu caminho.

Mas esta mulher nunca mais será a mesma. Pois sabe que jogou o amor de sua vida fora, quando teve oportunidade de tê-lo completa e eternamente. Por medo, por indecisão e, talvez até, por egoísmo. E nunca mais encontrou quem a completasse como ele.

A adolescente teve todos os que quis e dispensou aquele que poderia ter sido todos em um só.

CARPE DIEN! Esse era o lema dela... Será q vale a pena???”
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No próximo post explico...

Um comentário:

Anônimo disse...

Já conhecia esse seu texto. Curiosamente fiquei impressionado pelo titulo. Este título me lembra o filme que talvez tenha sido o melhor filme da minha infancia. Lembro de tê-lo visto em Campo Grande com meu pai em um cinema que nem existe mais.

Como uma vez já te disse os livros parecem me escolher ao invés de eu escolhê-los. Acho que com esse está acontecendo justamente isso. Na net achei uma descrição bem legal desta história. Acho que seria interessante postar, apesar de ser muito extenso acho muito lúcido:

" Um menino chamado Bastian, ao entrar numa loja, fugindo de outros garotos, depara com um livro que atrai sua atenção. Toma-o emprestado e, escondido no sótão do colégio, começa sua viagem... O mundo de Fantasia está sendo destruído, devorado pelo terrível Nada. Para que seja salvo é preciso que um menino do mundo de Realidade dê um nome para a Imperatriz-Criança de Fantasia: "Só o nome certo confere a todos os seres e a todas as coisas sua realidade..." Seus habitantes o aguardam desesperadamente. Esse menino é Bastian que lendo a história acaba por entrar nela.
Quando lá chega quase tudo está destruído pelo Nada, restam apenas a Imperatriz e um grão de areia. É necessário que Bastian comece a desejar para que tudo recomece... E é o que ele faz. Encorajado pela Imperatriz-Criança, começa a viajar e a recriar o mundo de Fantasia, um mundo, incomparavelmente, mais atraente que o seu onde a morte da mãe e a ausência do pai atormentam sua alma. E Bastian deseja mais e mais. Mas a cada desejo tem um pouco de sua memória de Realidade apagada. Começa a esquecer todo o seu mundo. Vai tão longe que não consegue lembrar-se de mais nada, nem do seu próprio nome.
Sem memória e infeliz, ele procura a saída de Fantasia, mas, sem sua identidade, encontra-la seria impossível. Não fosse a ajuda de um amigo, a quem havia contado algumas lembranças, ele estaria perdido para sempre. E a saída estava na fronteira entre Fantasia e Realidade...
Fiquei impressionado com a história e disposto a ler o livro. Mas, amparado pela eterna "falta de tempo" que persegue o mundo dos adultos, preferi assistir o filme. São três. Assisti apenas o primeiro. Encontrei-o numa sessão de filmes infantis. Pena os adultos não freqüentarem, de vez em quando, a sessão infantil das vídeo locadoras; parece que só os que têm filhos têm essa capacidade...
E desde então tenho pensado nessa história e sua relação com o Ser Humano e a Psicanálise. O bicho homem precisa de Fantasia, precisa desejar... Sem Fantasia ele perde a capacidade de ter esperança, sonhar, amar, criar... Torna-se um autômato, semente jogada no concreto. E precisa de Realidade. Sem ela também não sobrevive. Imerso na loucura, desintegra-se, estilhaça-se; apenas fome e alucinação...
E me vejo no consultório: tentando trazer Realidade aos lunáticos, dar-lhes corpo, e Fantasia a corpos sem alma. E me vejo na fronteira, lugar perigoso e fascinante, entre o Ser e o Não-Ser.
Somos todos um pouco Bastian... Entramos no mundo de Fantasia ao tirarmos os pés do chão e deitarmos no divã. Nele temos a chance de recriar e retornar para a nossa Realidade mais inteiros. A saída está na fronteira..."