segunda-feira, 13 de junho de 2005

Salto Alto.

Abriu o armário e tirou um sapato de salto alto. Queria se sentir mulher.

Desde que abandonou sua vida de executiva para dedicar-se às letras, dedicou-se também aos tênis, jeans e camisetas. Mas, de repente, sentiu falta do glamour, dos véus, dos cachecóis.

Pôs calça cinza, blusa cinza e salto alto. Meio termo. Nem chique, nem jeans. Soltou os cabelos, pôs argolas douradas e alguma maquiagem.

Saiu de casa às duas da tarde e encaminhou-se para o Centro da Cidade. Resolveu problemas, foi ao banco, comprou um livro, e foi para a faculdade. Teve boas notícias por lá: Seu estágio foi aprovado. Iniciará no próximo semestre. Mais um ponto no currículo acadêmico, pensou.

E como pensava! Estava a ponto de enlouquecer, pois sua mente fervilhava. Para quê tantos pensamentos? Tortos. Certos. Otimistas. Pessimistas. Floridos. E sombrios. Todos ao mesmo tempo. Resolveu, então, relaxar.

No dia seguinte, acordou cedo, tomou um banho demorado e lavou os cabelos com seu xampu preferido. Passou hidratante, perfume, creme nos cabelos. Brilho nos olhos! Vestiu-se de rosa - roupa de menina. Batom combinando, sombra clara e salto alto.

Estava pronta.

Sentou-se na frente do computador e começou sua monografia.