segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Água é vida!

A vida é fluida como a água. Mal conseguimos tomar conhecimento de sua existência, refrescar-nos, matar nossa sede, já somos informados de que é um recurso finito.
Tentamos então aprisiona-la e não deixar o tempo passar. Mas como a água, também evapora, fica turva e sem oxigênio ou escapa pelos dedos. Contudo, ambas nos penetram os poros.
A vida, como a água, na escassez mata. Em excesso também.
Não há quem viva sem água, independentemente do que quer que seja. Por dentro e por fora. E a máxima de “água, fonte de vida” se renova a cada dia.
Vivemos cercados de água neste pedaço de continente e somos considerados um povo que sabe viver. Pois mesmo com um oceano de vida salgada, conseguimos matar a sede de alegria com nossa reserva de vida doce, onde permitimos que balças levem e tragam vidas sofridas e encharcadas do suor salobro da luta pelo alimento.
Peixes alimentam ricos e pobres, sejam do mar ou dos rios. Ricos de vida e pobres de espírito. Sedentos de mar e famintos de vida.
À deriva no meio do mar, ou à deriva no meio da vida: “Pra quem não sabe aonde ir, nenhum vento serve.”
Bebo a vida como se chegasse do deserto, numa sede constante e quase insaciável. Sede de vida e fome de ser. Sede branda e terna. Sede dos que não temem o temer.
A água corre. A vida idem.
A vida acaba. A água... só depende de nós.




Janaina Freitas.
03/12/06.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Compressão.

Sinto compressão na cabeça.
Talvez espaço de menos para pensamentos de mais.
Ou o peso do mundo sobre ela.
Ou, quem sabe, os vários mundos a comprimirem-na.
Talvez a gravidade agindo.
Ou a falta dela noutro mundo.
Há gravidade no mundo dos sonhos?
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A gravidade...
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A grave idade...
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Agrave idade...
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Agravei...
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dá...
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dê...
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domingo, 5 de novembro de 2006

Vista da janela.

Em cada janela uma vida.
Mosaico de luzes intercaladas.
Vida acesa. Luz apagada.
Janela aberta. Vida fechada.
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Onde dorme o poeta?
E onde varre a arquiteta?
Onde chora o bebê?
E onde nasce a violeta?
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Paredes separam histórias, medos e pessoas.
Os sons e os aromas os unem.
Provas cabais da presença do outro.
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Através da vidraça, muitas vidas verticais.
Intocáveis entre si.
Separadas por concreto e indiferença.
A vida corre indiferente.
(Cada um por si).
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Luzes acendem, outras apagam.
Alterando o mosaico a cada instante.
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Janelas abrem.
Portas fecham.
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E o elevador não pára.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Quando eu partir...

Quando eu partir, distribuam jabuticabas aos convidados na minha despedida. Também carambolas, que fatiadas parecem estrelas. Adoro estrelas, mas prefiro o sol, que é a maior delas. E também fatias de melancia, pois parecem a lua crescente. Uma lua mais alegre e colorida, ao alcance de nossas mãos e que nos alimenta o corpo como a outra, a alma. Para beber, água de coco. Posto que hidrata mais que a água pura e é adocicada e salobra como a lágrima.
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Pendurem “senhores-do-vento”, pois me são caros e nos mostram a presença daquele que não vemos e que pode destruir, e também pode guiar destinos marujos e produzir energia.
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Vistam-me de tênis e roupas confortáveis, para que eu possa caminhar sempre; mesmo que quebrar a inércia seja impossível.
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Convidem meus amigos e meus inimigos, se eu os tiver. Também meus amores deste coração imenso e confuso que sabe muito de amar e pouco de pensar, pois não é sua função.
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Da família, alegria, bem-querer e saudade, é o que peço para levar; embrulhem tudo, pois cabe no coração, que é onde os vou carregar.
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quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Sou eu.

Sou prosa
Sou verso
E sou trova.
Na vida
Experiência nova.
Sou rosa.

Sou Quintana, Amado e Espanca.
Sou da vida verbo e lança.

Sou Clarice, sou Drummond.
No coração: O de bom!
O tom.

Tom de som, Tom de verso.
Tom de Moraes e não disperso.
Som do Tom: Magnético.

Sou poesia em alma
Sou na vida calma
E não palma.

Som do mar, entorpecente.
Amor e alma, latentes.
Universo pungente.
Urgente.

Sou gente,
Semente na literatura.
Quero inspiração e cultura.
Madura.

Sou sonho.
(Por um instante fui sonho).
Proponho: Seja!

Veja, certeza, clareza...
Almeja!

Beleza?
Passa, perpassa... escassa.

Vida?
Fica, contagia... dia.

Poesia!
Magia, melodia...
Irradia.

Sou:...
Poesia.

quarta-feira, 24 de maio de 2006

Um dia gris.

Dia pesaroso hoje. Choro incontrolável sem motivo aparente. Triste. Melancólica...

Não mais quero tal sentimento. Basta!

Sou amada e feliz.

Que melancolia Clariciana é esta? "Por que me perturbas, amiga? Sou parte em alma tua. Me inspire, não me afete."

Quiçá não és tu quem me ronda. Talvez outro mais atróz. Fábrica de sentimentos torpes, pesando sobre meus ombros. Vá! Quem quer que seja. Deixa-me, pobre de ti. Sou eu por mim e te afasto, sentimento torto que me abate. Sou forte e te repudio.

Quero velas-de-anjo-da-guarda, quero rezas-de-coração-de-mãe. Sou protegida e iluminada, e não receptáculo de sombras. Sou sensível, porém não fraca.

Tenho fé nAquele que Cria e desprezo o que destrói. Sou amor e vitória. Sou futuro e bênçãos. Sou "a" e não "uma das".

A luz me protege, sou anjo na alma. Sou matéria intelectual. Sou vida. Aprendizado.

Sou amor.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Reencontro

Ah! O tempo... Sempre ele!

Consegue mudar uma vida em segundos. E fazer segundos durarem séculos.

Esse é o Kairós.

Capaz de nos dar experiências tantas, num chronos ínfimo.

E o amor – parente do Kairós – nos traz de volta o passado, como se não tivesse havido presente nas últimas três porções de chronos.

(365 partículas de chronos equivalem a uma porção de chronos).

Jurei jamais viver de passado. (Como se a decisão fosse minha!!! rs)

Contudo, pensando bem, não é o passado puro e simples, tal e qual era. Talvez seja um presente com resquícios de passado.

Como um recluso retomando a vida ao deixar o cárcere: “Continuar de onde parou ou recomeçar???” Uma vez a pena paga. Lição tomada. Vida reta.

Assim, por vezes, se apresenta a vida. Nos faz reclusos de nós mesmos para que quando deixemos o cárcere da alma valorizemos a liberdade do cárcere voluntário, imposto – de dentro para fora – pelo amor puro, sincero e verdadeiro.

terça-feira, 21 de março de 2006

Nova chance

A brisa da manhã de verão é mágica.
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Ameniza o esforço dos sofridos e regozija os poetas.
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Conforta os que pensam.
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Refresca as turbulências.
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E age no inconsciente humano como alento no alvorecer de um novo dia.
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Esperança de boas novas. Vento de bom agouro.
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Ilusão de nova chance.
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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2006

Ágape X Eros

Sentimentos, por que me tomam?

Dança a bela sobre o umbral da desilusão...

Carne trêmula na presença de ventos de desejo. (Furacão da libido!)

Preferia ágape, mas me quer o eros. (Afasto-o!)

A mobilidade facilita. Não há que se fazer esforço.

Não vou ao encontro: Sou encontrada.

Digo NÃO!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2006

Verão!

Bom saber que está sol, porque neste aquário opaco onde trabalho, o máximo que vislumbro é uma mísera nesga de luz q uma fresta generosa permite passar...

Bom dia!