quinta-feira, 10 de junho de 2010

O peso da tinta na ponta da pena

Quando escrevo, sou eu impressa no papel em forma de tintas e curvas, retas, traços e garranchos. Sou eu de alma desnuda nos altos e baixos, no engano da grafia, na licença poética da concordância, nas reticências dos hiatos do pensamento. E no fluxo das palavras, desejos e instintos. Dando cor e movimento ao balé da caneta sobre o papel. Ou dos dedos sobre o teclado. Ou ainda dos olhos inquietos, olhando para dentro em busca da palavra certa.

Sou um eu quando escrevo. E outro quando me leio.

Há um mundo onde meu pensamento busca os textos. E que não é o mesmo quando volto a perceber a realidade em volta.

Aqui é bege, cinza e tons pastéis.

Lá é realidade e realização.

Lá é a percepção do ser.

Aqui, do [não] ter.

Quando imersa em letras, sou quem sempre quis ser. Sob os holofotes da vida, em frente à platéia, aguardando os aplausos que certamente virão.

Aqui sou platéia de gargalhada muda e palmas surdas. Sou mais uma na multidão, aguardando o momento de subir em um palco que ainda estou montando, para realizar um espetáculo que ainda estou escrevendo.

Sou lembrança do peso da tinta na ponta da pena ao reinventar minhas curvas e a pele lisa num conto de verão.


(Janaina Freitas - 06/08/09)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mãos frias, coração quente!

O sol aquece o coração de mãos frias.
Todo o mau sentimento desaparece quando as mãos também aquecem.
O calor do sol lembra palavras sábias.

Corpo leve, mente leve.
É assim que deve ser.

Tudo muda aos raios do sol...
Ilumina-se!
A noite se rende.

O sol da manhã revigora
E o crepúsculo o apaga.

Não há nada melhor que um raio de sol aquecendo corações e mãos.



(Janaina Freitas - 06/05/2010)